terça-feira, 8 de dezembro de 2009

vagapara: Fabão

"Muitos sentimentos me invadiram. Era sábado e eu estava trabalhando. Depois de alguns meses acompanhando bem de perto a pesquisa dO Ciolo ( o O ta ganhando aqui) e de flertar com Lucas e de ver passear pela Casa Preta, Paula e seu Martini, Olga e um livro escrito como resultado das suas agonias, Jorge seus ternos e calcinhas, Vietra puta puta puta de calçolas e absorventes e Bela sempre correndo de/para/em aventuras, eu vi tudo isso junto.
Compartilhar com o Vagapara e com seus colaboradores os resultados de suas respectivas pesquisas me fez ter certeza do privilégio de tê-los em meu circulo de afetos. Grandes artistas, comprometidos, responsáveis, coerentes que resolveram olhar bem para dentro e presentear a todos com questões tão importantes. Ali nasceram filhotes gerados das contradições, angustias, dores, prazeres, memórias, sonhos, encontros e desencontros...absolutamente pessoais mas facilmente reconhecidos como universais por olhares mais atentos.
Espero que estes sejam muitos, que as questões sejam espalhadas, que esses muitos olhares atentos também olhem para dentro, que esses muitos olhares atentos olhando pra dentro também possam parir questões que movimentem a máquina, que lubrifiquem os corações e mentes e quem sabe teremos amanhãs muito melhores.
E eu só queria dizer obrigados e que eu tô orgulhoso e feliz e que eu desejo vida longa e que sempre que der eu estacionarei em minha vaga para ficar perto de vocês.
Vos amo
Bjs e té"
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Por Fabio Ferreira - meu amigo tão Presente [porque está sempre muito perto, e porque é absolutamente gratificante ser assim - mesmo quando ele tira o dia para dizer piadas sem graça...] Amo muito, amo mesmo, escuto alegrias, lamúrias, interjeições deslocadas e até as vãs.
Fabão é facilmente encontrado AQUI.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Da série - Aprendendo a amar alegre, leve e mais meió!

"Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.

Em cofre não se guarda coisa alguma.

Em cofre perde-se a coisa à vista.

Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por

admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.

Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por

ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,

isto é, estar por ela ou ser por ela.

Por isso, melhor se guarda o vôo de um pássaro

Do que de um pássaro sem vôos.

Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,

por isso se declara e declama um poema:

Para guardá-lo:

Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:

Guarde o que quer que guarda um poema:

Por isso o lance do poema:

Por guardar-se o que se quer guardar."

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De Antonio Cícero

Espetáculo Fragmentos de Um Só - primeira mostra - dia 05/12/09

Jorge Oliveira sufocado pelos seus eus
Olga Lamas escrevendo um livro como resultado das nossas agonias
Isabela Silveira protegida da chuva, com os pés mergulhados em água limpa
Lisavietra, uma mulher de pele nua
Lucas Valentim cortando cebolas para falar sobre amor
Paula Lice embriagada de Ana Cristina César
Márcio Nonato, procurando entender os artigos "O" e "A", nos diz, por fim, que O sol é umA estrela

Espetáculo Fragmentos de Um Só - primeira mostra - dia 05/12/09

CALÇOLAS - Lisavietra







domingo, 6 de dezembro de 2009

Hoje, quando apresentei o meu solo na mostra, alguém depois comentou comigo:

- Você não entra em cena sozinha não...! É muito forte, entra junto uma legião de mulheres.

Entra sim.
Calçolas acabou de nascer, e vai crescer e viver muito.
POR ELAS.

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Há poucos instantes, saindo de uma feliz comemoração por termos mostrado pela primeira vez os nossos solos, eu vi, na rua, um homem batendo numa mulher. Eu e minhas amigas nos metemos. Sim! Me meterei sempre! Eu nunca tinha visto uma mulher apanhando daquele que ela tristemente chama com orgulho de seu homem. É um orgulho opaco e incômodo. E ela não sabe por que... Tem sempre - initerruptamente - uma pressão interna e externa, que ela não percebe de onde vem, nem porquê, lhe dizendo: MULHER SEM HOMEM NÃO É NADA. Cada uma vai pagar seu preço. São variados preços. E vocês pensam que eu também não pago os meus?
Acabei de ver, pela primeira vez, uma mulher sendo esmurrada, empurrada, tendo a sua cabeça batida na parede, por aquele que socialmente, subjetivamente, e emocionalmente valida para os outros - mas principalmente para ela mesma - o que ela é. ELA É A MULHER DE ALGUÉM. E é isso, que nessa lógica cruel e invisível, importa. E já dentro do carro, enquanto eu vociferava sobre o assunto com os meus amigos, eu entendi: eu vi hoje, pela primeira vez, uma mulher sendo fisicamente agredida por um homem; e eu verei muito mais vezes; variadas formas de agressão. Porque eu quero. Para me meter muito mais vezes. COM TODAS AS FORMAS QUE EU TIVER.
E não, não se preocupem. Eu não virarei uma feminista-que-tem-raiva-de-homem. Eu gosto de homem. Gosto muito. Na minha cama, na minha sala, na minha fala. O ALGOZ NÃO É O HOMEM; embora, na prática, na maioria das vezes seja... Mas o que precisa ser transformado é a falta de individuação do gênero feminino na construção pessoal e cultural das suas representantes.
Hoje, enquanto eu apresentava o meu solo e eu nervosa, minhas mãos incontrolavelmente tremiam, é porque eu sabia. Eu sei.
Naquele momento todas as mulheres são em mim.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Existem dias maravilhosamente suculentos, não é mesmo?


terça-feira, 1 de dezembro de 2009

A Pós Histérica - 5

Para quem visse de longe, pareciam estar bastante confortáveis. Porque estavam recostados em grandes puf`s amarelos, deliciosamente colocados no fundo da festa. E não concluiriam que eram namorados, pois não havia nem o afago constante dos casais apaixonados, nem a defesa constante de território dos casais estabelecidos, e nem o jogo de poder, enfado e birra constantes dos casais que já passaram do tempo de terminar. São amigos – certamente a alternativa mais votada. Mas discutem um assunto pessoal – um mais atento completaria.

Sim, eles discutiam um assunto pessoal. Sim, eles não eram namorados. Não, eles não eram amigos. Aqueles dois seres recostados em puf's amarelos no canto da festa, habitavam um lugar ainda não nomeado que, agrega o compartilhamento sem obrigações da amizade, com a intimidade física do namoro, sem, contudo, o conforto dos acordos estabelecidos do namoro e a despretensão da amizade. O terreno em que aqueles dois seres aparentemente confortáveis, recostados em puf's amarelos, no fundo da festa, haviam construído a sua relação, era um tipo de terreno ainda não estudado pela geografia. Viviam uma Relação Ainda Não Classificada. Portanto não tinham parâmetros para basear os seus incômodos e desafios. Tornando mais difícil identificar problemas e prováveis soluções, e às vezes tirando o chão de debaixo dos seus pés. Pois não era que aqueles dois aparentemente confortáveis, recostados em puf's amarelos no canto da festa, estavam discutindo, exatamente, a relação! Porque todas as relações demandam discussão, inclusive as que ainda não foram classificadas. Só não entendi ainda o aparente conforto de seus corpos e vozes. Talvez porque fosse incerto, inclusive, o limite que o desconforto tinha para a sua demonstração.

A mulher era Luciana, que estava vestida de verde, e mexia no cabelo todas as vezes que precisava organizar o pensamento. E ele era um homem bonito, parecia bom falante, mas dele não se sabe muito, porque as relações ainda não classificadas geralmente não ganham muito os espaços sociais das partes envolvidas. Aquela, por exemplo, era a primeira vez que estavam fazendo um programa onde havia conhecidos envolvidos. E ainda, durante todo o tempo, era a grande a possibilidade de todos pensarem que eles eram apenas bons amigos.

Ela havia começado a discussão. Aceitando o legado sexista que parece determinar que a necessidade de sanar os incômodos seja sempre feminina. Porque talvez o incômodo legado sexista diga que a insatisfação é uma característica feminina... Porque a mulher, desde tempos idos, procura se encaixar no molde do outro. E o comum é que se encaixe. Mesmo que fique pendurada para o lado de fora a sua perna esquerda.

Luciana começou falando assim:

- Vou embora do baile, porque não me agrada mais dançar ao som dessa música.

E como não achara tal explicação suficiente, passou longos bons minutos destrinchando porque o baile, a dança e a música não a agradavam.

O homem bom falante era também excelente ouvinte e ouviu tudo, tudo o que Luciana achava importante dizer. Ficando em silêncio até enquanto ela mexia nos cabelos, tentando transformar as suas sensações em frases lógicas e de sentido ordenado. Quando finalmente abriu a boca, foi para dizer:

- Você desabafou...!

Não, Luciana não desabafou. Luciana expôs, explicitou, compartilhou, dividiu o que estava pensando, sentindo e sendo por conta daquela relação com ele. E mais: Luciana não desabafou. Luciana se reposicionou, baseada nos seus incômodos e no terreno desconhecido que ambos caminhavam. Não era um pedido de salvamento, embora viesse cheio de emotividade. Se houve ruído entre comunicação e recepção, Luciana atribui isso também aos legados sexistas que determinam as leituras do homem e da mulher. A demonstração despudorada da emoção é tida como característica feminina, sendo que outra característica prioritariamente feminina é a fragilidade – de modo que emotividade e fragilidade tornam-se coisas interligadas, ambas de menor valor.

Em outro momento da conversa, ele "desabafou":

- Você é independente demais!

-

- Como eu posso ter certeza que você gosta de mim se você não precisa de mim?

Isso fez ela se lembrar do trecho de um livro, que diz: "Os sexos se bifurcaram: homem X mulher. A ênfase dual imperou, exigindo o surgimento da ideologia da superioridade e da inferioridade. Mulher dócil é contrapartida de homem macho. Mulher frágil é a contrapartida de macho forte." * Logo, como uma mulher que arca consigo mesma, vai validar o poder do macho provedor? E existem muitos lugares para necessitar e para prover, que não só o financeiro... Compartilhar problemas e pedir ajuda é uma coisa, usar o outro como justificativa das suas dores e alegrias, é outra. E esse jogo Luciana não joga mais. E, ela sabe, isso gera desequilíbrio, porque os papéis já estavam definidos desde muito antes dela nascer. Só que Luciana rapidamente desaprendeu a lógica dualística, apresentada mais sutilmente nos tempos atuais, mas ainda tão presente, que determina como é um homem e como é uma mulher.

Luciana parou de mexer nos cabelos, sentou-se ereta no puf amarelo, olhou com carinho para o homem bonito, bom falante, excelente ouvinte, e tantas outras coisas mais, ali na sua frente, e quis explicar que os fatos dela não fazer apelos, não chorar atenção e não exigir mudanças, era simplesmente porque só lhe era válido receber aquilo que o outro voluntariamente estivesse disposto a dar. E o que poderia acontecer era ela não ficar feliz com o que estava recebendo. E ambos estavam certos, não é verdade? Mas quando as pessoas estão querendo dançar músicas diferentes, é hora de encerrarem a parceria... Uma pena que aprendemos que os bailes têm que durar para sempre, sob pena de não terem sido válidos.

Luciana quis dizer que ela era frágil também; talvez muito frágil... E que todas as pessoas, independente de serem homens ou mulheres, são frágies em alguns momentos, e que ela até achava isso bastante poético...

Luciana quis abraçá-lo, e que o mundo congelasse naquele momento.

Mas ela apenas levantou do puf amarelo e se despediu.

E até a porta de saída ainda teria que atravessar a festa inteira.



* A Mulher a Família no final do século XX - Fátima Quintas

domingo, 29 de novembro de 2009

Cara Lisavietra,
Deixe-os ir. E não invente outros para colocar no lugar. Sinta o sabor do presente, e isso basta.

sábado, 28 de novembro de 2009

É uma compulsão
e um imperativo moral pensar alto; se digo tudo sobre mim, tudo se resolve."

Louise Bourgeois


Eu sei que abrigo em mim grande fragilidade. Inaudível e constante. Encontrei os seus porquês. Mas não a sanei ainda. E ainda há pudor em reconhecer que a sinto. O velho e implacável medo da solidão. Triste. Tristíssimo. Deixe-os ir, Lisavietra. Deixei-os...

Tenha coragem de saber o que há quando você os solta.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Projeto Leitura É Cultura - Oliveira dos Campinhos - Santo Amaro - Bahia

Até que foi bom. Mas eu também estou feliz por estar acabando. Nunca foi a minha preferência acordar às 5 da manhã...

Para guardar com carinho:
























Por Lisavietra, uma arte-educadora maternal, sem ilusões utópicas em relação à educação, e que às vezes duvida da arte.
Mas que se diverte muito com o seu trabalho!